quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

LIVRO: Nosferatu - Joe Hill

Existem dois mundos (...) O mundo real, com os seus fatos e regras irritantes, onde as coisas são ou não verdadeiras, em geral é um saco. Mas as pessoas também vivem no mundo dentro da própria cabeça. Uma paisagem interior, um mundo de pensamento. Nele, as ideias são fatos. As emoções são como a lei da gravidade. Os sonhos, como a História. As pessoas criativas... escritores, por exemplo...   passam grande parte do tempo nos seus próprios mundos de pensamento. Os muito criativos, porém, são capazes de usar uma faca para abrir a costura entre os dois mundos, para juntá-los.

Este é o terceiro livro de Joe Hill, um dos meus autores favoritos! Para quem não conhece, ele é filho do Stephen King e tem se mostrado herdeiro do talento do pai. Neste livro, o escritor recria o clássico conto de vampiros com muito criatividade e maestria. Temos dois personagens centrais: Vic McQueen e Charlie Manx (o tal vampiro).

Vic McQueen é uma garotinha com uma criatividade que vai muito além da capacidade humana média. Enquanto uma pessoa normal pode criar um universo em sua mente, Vic consegue atravessar lugares reais.  Para isso, ela usa sua bicicleta e ao estar em cima dela, pode criar uma ponte que só ela pode atravessar, ligando locais de qualquer distância.  Ao atravessar a ponte, Vic sempre vai parar em um lugar que tem a solução para um problema que ela busca resposta.

Várias pessoas no mundo também tem esse poder, porém nem todas o usam para o bem. A pior delas é Charlie Manx, um vampiro bem diferente do que estamos acostumados: ao invés de sugar sangue, ele suga a alma de crianças e usa um carro para ultrapassar os limites físicos. Ele criou um lugar chamado Terra do Natal e leva para lá as crianças que se tornam também vampiras - elas não envelhecem mais, ficam com uma aparência medonha e Manx se sustenta dessa energia infantil. Para eles, todo dia é Natal!
(...) a Terra do Natal era um lugar situado na quarta dimensão, onde crianças mortas entoavam cantigas de Natal e davam telefonemas interurbanos (...)
Uma de suas miras é Vic, porém ela será a primeira criança que conseguirá fugir de Manx e, ao descobrir seus propósitos obscuros, Vic se torna sua inimiga. Mas Vic está longe de ser uma heroína perfeita. Com toda essa história de pontes, problemas familiares e mais a perseguição vampírica, ela passa da infância à vida adulta cheia de defeitos, o que traz justamente sua individualidade e nos faz gostar dela.


Para mim o autor pecou nas descrições prolongadas, coisa que não foi tão forte em seus dois livros anteriores ("A Estrada da Noite" e "Amaldiçoado"). É uma leitura longa, mais de 600 páginas, porém com capítulos curtos. A história se desenrola mesmo nas últimas 100 páginas e tem um final um tanto inesperado e satisfatório.

Uma coisa interessante deste livro são as várias músicas citadas, principalmente músicas natalinas, tanto que fiz uma playlist delas no Spotify para ser ouvida enquanto você lê. Recomendo esse combo que traz um clima macabro à leitura.
O Natal já passara fazia praticamente três meses e havia algo desagradável no fato de ouvir canções natalinas quase no verão. Era como ver um palhaço debaixo da chuva, com a maquiagem escorrendo.

Apesar deste ser o livro que menos me fisgou do autor, é muito bem escrito e esse Joe Hill ainda vai dar muito o que falar! O cara é muito bom. O jeito que ele escreve me fascina.
Nota: ★ ★ ★ ★ ☆

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