terça-feira, 18 de outubro de 2016

LIVRO: O Circo Mecânico Tresaulti - Genevieve Valentine

Mais uma resenha da editora que vai me levar a falência (haha): DarkSide Books. Respeitável público, o livro de hoje é O Circo Mecânico Tresaulti da escritora Genevieve Valentine.

O Circo Mecânico Tresaulti não é um circo qualquer. Liderado por uma figura sombria, uma mulher chamada Boss, o circo percorre cidades em um mundo futurístico e distópico, pós-guerra. Que os moradores das cidades aproveitem para assistir, pois muito provavelmente o circo não passará duas vezes pela mesma cidade durante a sua vida.


Temos acrobatas, trapezistas, dançarinas, malabaristas e outros vários artistas que chegaram ao circo de uma forma ou de outra, para fazer um teste se apresentando para a Boss. Ela estranhamente tem a habilidade de trocar partes do corpo humano por peças mecânicas, por exemplo trocar os ossos das trapezistas por fios de cobre, assim elas ficam mais leves para sobrevoar o picadeiro, até ressuscitar seus artistas mortos ou curá-los de possíveis acidentes de percurso.

Mas um ex-integrante da trupe assombra a lembrança de todos os que ficaram: Alec, um menino que Boss deu asas mecânicas e que após um acidente durante um espetáculo faleceu. Ele era muito querido por todos e, apesar de não estar mais vivo, Alec é um dos personagens mais presentes na trama.

O livro varia, em seus capítulos curtos - o que torna a leitura bem fluída, dentre narração em terceira, segunda e em primeira pessoa, sendo que nesta última, quem narra é Little George, um garoto tímido, ingênuo e que passa bastante despercebido frente aos telespectadores e colegas de circo, responsável por colar cartazes nas cidades em que o circo chega e pegar os bilhetes das pessoas no início de cada espetáculo.


Outra figura intrigante é Boss, pois em pouquíssimos trechos do livro podemos saber o que realmente se passa em sua mente - sempre temos o ponto de vista de outros personagens sobre ela. Também Elena, líder das trapezistas e odiada por todos, por ter um perfil frio e calculista. Há outros personagens tão interessantes quanto, mas que você irá desbravá-los durante a leitura - aliás essa é uma das coisas mais interessantes desse livro.

Mas tudo corre relativamente bem aos circenses, até o dia em que um homem do governo, como eles chamam, começa a rondá-los. É a partir daí que a maior parte da trama se desenvolve.

Em toda a leitura, inclusive ao terminar o livro, o circo permanece em uma nuvem de mistério, magia e obscuridade. A impressão que fica é que muito do que se passa ali não está sendo apresentado ao leitor - ele terá que entender nas entrelinhas.

Algumas passagens deixam várias coisas "no ar" e o mais difícil é entender quem é quem naquele circo - parece que todos guardam segredos, principalmente sobre o que pensam e o que sentem e o que liga-os ao circo.


O livro tem essa pegada diferente, eu diria que steampunk, e me lembrou bastante o livro "O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares", com relação à posição da Boss com os artistas, em comparação com a Srta. Peregrine. Também me lembrou a 4ª temporada da série American Horror Story, que foi sobre um circo de aberrações.

No geral gostei, embora tenha sentido que faltou mais alguma coisa para me fisgar de vez, foi um bom livro. Traz inúmeras reflexões sobre a complexidade humana, sobre a personalidade dos personagens, o significado das asas, da Boss e do circo. Se você se identificou com essas referências que eu citei, gosta de steampunk e se intrigou com a história desse livro, é uma excelente leitura!

Devido ao sucesso do livro, a DarkSide Books relançou-o em uma edição limitada maravilhosa, em capa dura, acompanhado de um marcador lindo! E ambas as edições têm ilustrações lindíssimas de Wesley Rodrigues.


Nota: ★ ★ ★ ☆ ☆


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