sexta-feira, 14 de outubro de 2016

LIVRO: A Menina Submersa – Catlín R. Kiernan

Oh meu Deus, a água está subindo e subindo
Você apenas tem que acreditar em mim
Não que eu possa controlar essa tempestade sozinha
Eles acham que estamos nos afogando,
mas nossas cabeças estão por cima das ondas
Nós ainda podemos fazer dar certo
Eu posso te ajudar com isso
Mas você tem que segurar minha mão
Eu vou te levar para casa
Segure minha mão, apenas segure minha mão
(A Prophecy - Asking Alexandria)

"A Menina Submersa" pra mim foi daqueles livros que você lê e fica com ciúmes do livro: não quer que ninguém mais goste, não quer que ninguém mais leia, como se aquilo fosse só seu, como se fosse um segredo. Eu mergulhei tanto nessa leitura que foi até difícil de terminá-la, tive uma clássica ressaca literária.


A história é contada por Imp, uma garota que tem esquizofrenia e que tem um histórico familiar dessa doença e suicídio de sua avó materna e de sua mãe. Na verdade o livro passa a impressão mais de um diálogo interno, um diário da Imp. Ela pouco se importa de ser certa ou de fazer o leitor entender, já que quem tem que entender é ela, então não é um livro linear nem uma escrita comum. No começo do livro é estranho, mas depois de um tempo você se acostuma a estar ali tão no íntimo da Imp e acompanhar seu raciocínio confuso (e o nosso não é?).

A Imp é pintora e alguns anos após apreciar um quadro, intitulado "A Menina Submersa" de Saltonstall, ela começa a ter pensamentos obsessivos sobre conhecer a garota do quadro, a qual ela conta que é uma sereia e ao mesmo tempo um fantasma. Aliás ela fala várias e várias vezes que está contando uma história de fantasmas.


Vi muitas pessoas falando que não é bem um fantasma e é aí que rolou minha identificação com ela: sim, ela está contando a história dela com um fantasma, a garota do quadro, a Eva Canning. Ela é assombrada por esses pensamentos obsessivos em torno de Eva e de coisas relacionadas a ela, seja pinturas, textos, músicas. Tudo remete à isso. Inclusive em sua vida pessoal, muitas vezes no livro ela troca o nome da namorada, Abalyn, por Eva, e depois risca ou mesmo nem percebe.

Então a história é basicamente esta, a Imp tentando compreender obsessivamente quem é ou quem foi essa pessoa que a assombra e porquê. Muitas vezes ela não sabe diferenciar o que é realidade ou fantasia, o que é mentira ou verdade, se ela está mentindo inconscientemente ou se está mentindo de propósito. É uma leitura muito envolvente se você se deixar envolver.


Por outro lado, a leitura pode ser bem arrastada e até difícil de compreender se você não se identificar com a Imp e realmente não mergulhar, pois não é um livro raso, tem muitas nuances e é bastante psicológico. Fora isso o livro é perfeito.

Vale citar que este livro ganhou dois prêmios e foi nomeado à outras seis premiações, tendo recebido muitos elogios da crítica e considerado uma obra-prima da literatura dark.
Nota: ★ ★ ★ ★ ★
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