domingo, 23 de outubro de 2016

LIVRO: Confissões do Crematório - Caitlin Doughty

A cada respiração nós morremos um pouco mais
A cada passo que damos, nós caímos aos pedaços
Se nós temos a chance de respirar
Então use essa chance agora e grite
Você só vive uma vida, por um período muito curto
Então faça cada segundo ser divino
(You Only Live Once - Suicide Silence)

O livro "Confissões do Crematório" é um livro para quem planeja morrer um dia e foi escrito pela autora americana Caitlin Doughty. Ela sempre teve curiosidade sobre a morte e nesse livro ela conta em detalhes como tudo começou: a primeira pessoa morrendo que ela presenciou, o primeiro velório que foi e até chegar aos 23 anos, quando começou a trabalhar em um crematório.


Nesse crematório, ela vai contar o seu dia-a-dia, desde como foi seu primeiro dia de emprego, detalhes sobre a cremação, embalsamamento, reação das famílias, como é ter que buscar os corpos nos lugares em que faleceram, como as pessoas reagem e até a parte que eu achei a mais bizarra do livro: quando ela descreve exatamente como é o cheiro de um corpo em decomposição, pois parece que você está sentindo realmente o cheiro conforme lê aquelas palavras.

A Caitlin também faz paralelos das coisas que ela está vivenciando com os rituais da morte no passado e ao redor do mundo, como varia de época, crenças religiosas e culturais sobre o que é certo ou errado e o que é normal ou não. Ela nos mostra que as coisas são bem relativas e que variam bastante.

A autora do livro, Caitlin Doughty
No início do livro, Caitlin já nos fala que a nossa geração se vê como "a primeira geração de imortais", pelo tanto que negamos a morte e tentamos nos manter o mais longe possível dela e de sua realidade. Ao longo do livro, ela mostra a necessidade de que essa barreira seja quebrada, que fugir do assunto não é uma boa opção para lidar com isso, afinal, todos vamos morrer e é isso que impulsiona a vida.


Vi resenhas dizendo que o livro era pesado e tenso, mas não achei. Muito pelo contrário: a Caitlin escreve da forma mais natural possível e com muito bom humor, mas sem usar metáforas ou tentar embelezar ou disfarçar sua escrita para causar menos agonia ao leitor. Ela mostra aos coisas como elas realmente são, coisa que não estamos acostumados a lidar, mas que deveríamos.

Eu tenho uma vivência com a morte porque sou enfermeira, então já vi e toquei corpos nas aulas de anatomia (nunca vou me esquecer o cheiro do formol e de cérebros, que tem um cheiro bem diferente), já lidei com pessoas em estado terminal (próximas da morte), pessoas em seus últimos dias e até no momento exato de suas mortes. Também tenho muita curiosidade sobre o assunto e essa predisposição me atraiu para ler esse livro. Foi uma leitura extremamente interessante e cativante. Se você também é como eu (se está nesse blog acredito que seja), recomendo demais essa leitura. Até se você tem medo desses assuntos, melhor ainda!


A Caitlin tem um pensamento muito interessante sobre a indústria da morte e ela quer que as pessoas mudem a forma de pensar atual, tornando as coisas mais naturais (mas não "natural" como se estivesse vivo, e sim "natural" como realmente é, pois a pessoa está morta) e humanizada, mais próximo da família. Ela também tem um canal no YouTube com vídeos cheios de bom humor, chamado Ask A Mortician, que vale muito à pena acompanhar. Abaixo um dos meus vídeos favoritos (em inglês):



Como sempre, a editora DarkSide Books caprichou na edição, com capa dura e em relevo, uma capa bastante atraente por sinal, ilustrações na folha de rosto e no início de cada capítulo, diagramação impecável... só pegando um livro desses nas mãos mesmo pra saber. A Skelita (minha monster high que pousou para a foto) está apaixonada, e eu também! ♥
Nota: ★ ★ ★ ★ ★
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